2025 não foi apenas mais um capítulo na evolução da tecnologia. Foi o ano em que a TI assumiu o protagonismo nas decisões estratégicas das empresas, deixando de ser área de suporte para se tornar um núcleo de inteligência operacional. E um dos grandes destaques do ano foi o uso de Inteligência Artificial, que ganhou ainda mais os holofotes com o avanço de sua maturidade, onde os modelos deixaram de ser experimentais e passaram a conduzir processos críticos com impacto mensurável em eficiência, produtividade e experiência do cliente.
Para não ficar para trás, a infraestrutura precisou acompanhar esse ritmo. A pressão por desempenho elevou investimentos em ambientes de alta performance, enquanto a sustentabilidade entrou definitivamente na pauta dos CIOs. Não se tratava mais de escolher a tecnologia mais avançada, mas a mais coerente com metas de negócio, consumo energético e governança.
E se você acha que só esses pontos já resumem 2025, saiba que há muito mais a ser observado com atenção nesse ano que se encerra. Por isso, essa retrospectiva é um convite para entender como 2025 redesenhou o papel da TI, quais decisões marcaram o ano e, principalmente, de que forma elas preparam o terreno para um 2026 ainda mais exigente, técnico e estratégico. Quer ficar por dentro de tudo que aconteceu e das principais apostas para 2026? Continue a leitura e confira!
Inteligência Artificial: da experimentação ao comando operacional
Para entender o salto que vivemos, é preciso recuar um pouco. Se 2023 foi o ano da curiosidade e 2024 o da validação, 2025 consolidou definitivamente a Inteligência Artificial como engrenagem funcional do negócio. Nesse período, ferramentas generativas passaram a atuar como co-pilotos em áreas como atendimento, marketing, análise de dados e desenvolvimento, reduzindo drasticamente os tempos de execução e ampliando a capacidade analítica das equipes.
O salto mais perceptível, no entanto, esteve na autonomia. A IA deixou de esperar comandos e começou a sugerir caminhos, antecipar decisões e reorganizar fluxos de trabalho de forma proativa. Dessa forma, sistemas capazes de interpretar contexto, aprender com dados internos e ajustar processos em tempo real ganharam espaço nas operações mais sensíveis das organizações.
Não por acaso, segundo dados do Gartner, até 2026, 80% das aplicações e softwares corporativos serão multimodais até 2030, dado que indica que essa transformação está apenas no começo.
Nesse cenário de evolução acelerada, uma das tendências mais marcantes foi a ascensão da chamada IA Agêntica. Diferentemente dos sistemas tradicionais, esses agentes são capazes de executar de forma independente uma série de tarefas em nome do usuário, combinando IA Generativa e Machine Learning para resolver ativamente problemas com o mínimo de intervenção humana.
As previsões são impressionantes: estima-se que 25% das empresas que utilizam IA Generativa lançarão pilotos de IA Agêntica ainda em 2025, com expectativa de crescimento para 50% até 2027. Esse movimento representa uma mudança fundamental na forma como interagimos com a tecnologia.
Mas com todo esse avanço, também surgiu uma pergunta inevitável: quem governa a inteligência que governa processos? Longe de ser apenas uma questão filosófica, a discussão sobre ética deixou de ser periférica e passou a fazer parte de comitês executivos, políticas internas e estruturas formais de controle. Assim, transparência, rastreabilidade e responsabilidade passaram a ser tratadas como pilares operacionais, não apenas como requisitos de compliance.
Essa mudança reflete uma maturidade importante do mercado: empresas começaram a entender que governança de IA não é freio, mas sim acelerador de confiança e valor.
Para entender a diferença entre como a IA se comportou em 2025 e o que se espera dos usos de inteligência artificial para 2026, observe a tabela a seguir:
| Dimensão | 2025 | 2026 |
| Papel da IA | Copiloto operacional integrado a fluxos existentes | Agente ativo capaz de redefinir processos de ponta a ponta |
| Grau de autonomia | Semi-autônomo, com supervisão humana constante | Autonomia progressiva com validações por regra e contexto |
| Aplicação principal | Otimização de tarefas repetitivas e apoio analítico | Execução estratégica e tomada de decisão orientada por dados |
| Governança | Estruturas em formação, com foco em compliance | Governança como diferencial competitivo e critério de escolha |
| Relação com equipes | Complemento de produtividade | Elemento estruturante do workflow |
Infraestrutura: performance sob pressão e o peso da energia
Enquanto a IA avançava em recursos e capacidades, o crescimento exponencial dessas aplicações exigiu muito mais do que software sofisticado. Exigiu poder computacional, latência reduzida e capacidade de resposta em tempo real. Foi nesse contexto que, em 2025, a computação de borda (edge computing) ganhou protagonismo ao aproximar processamento da origem dos dados, sobretudo em ambientes industriais, logísticos e urbanos.
Os números corroboram essa tendência: pesquisas do Gartner preveem que 75% dos dados empresariais serão processados no Edge até 2025, uma mudança dramática considerando que esse percentual era de apenas 10% em 2018. Por trás dessa transformação está a necessidade urgente de reduzir a latência para menos de 5 milissegundos, algo crucial para aplicações como veículos autônomos, cirurgias remotas e sistemas de saúde inteligente.
Ao mesmo tempo, e em resposta à crescente complexidade do cenário tecnológico, as arquiteturas híbridas se consolidaram como resposta pragmática. Multicloud, soberania de dados e otimização de custos transformaram a nuvem em um ecossistema mais estratégico e menos impulsivo. Com isso, a decisão deixou de ser puramente técnica e passou a ser financeira, regulatória e operacional.
Vale destacar que a imprevisibilidade dos custos de nuvem tornou-se um fator significativo que impulsionou essa mudança para processamento baseado em edge, especialmente para empresas que precisam garantir custos previsíveis enquanto melhoram o desempenho da IA.
No entanto, em meio a todos esses avanços, o consumo energético emergiu como o grande desafio não declarado. Afinal, data centers mais potentes significaram também maior impacto ambiental. Diante disso, empresas começaram a medir, reportar e revisar suas escolhas tecnológicas sob a ótica da eficiência energética, inaugurando uma fase onde performance e responsabilidade passaram a caminhar juntas.
Há, contudo, sinais positivos: a demanda de eletricidade dos data centers aumentou apenas 10% entre 2020 e 2024, apesar dos workloads terem sido nove vezes superiores no mesmo período. Isso demonstra que inovações em hardware e eficiência energética estão, de fato, fazendo diferença, embora ainda haja um longo caminho pela frente.
Olhando para 2026, o Gartner prevê que, até 2028, mais de 40% das empresas líderes terão adotado arquiteturas de computação híbrida em fluxos críticos de negócio, saltando dos atuais 8%. Essas plataformas de supercomputação para IA integrarão CPUs, GPUs, ASICs de IA e paradigmas alternativos, permitindo que organizações orquestrem cargas de trabalho complexas enquanto desbloqueiam novos níveis de desempenho e inovação.
Segurança: a nova lógica da prevenção contínua
Se a IA trouxe inúmeros benefícios, também ampliou significativamente o poder dos ataques. Com isso, a superfície de risco se tornou mais sofisticada e dinâmica do que nunca. Golpes automatizados, engenharia social hiper personalizada e ransomware mais inteligente tornaram obsoletas as estratégias apenas reativas. Por consequência, em 2025, a segurança precisou ser repensada como arquitetura, não como barreira.
Nesse novo contexto, o conceito de Zero Trust deixou de ser tendência e passou a ser prática obrigatória. Cada acesso, cada identidade e cada integração passaram a ser validados de forma contínua, reduzindo brechas e reorganizando políticas de autenticação. Mais do que isso, o foco já não era impedir o ataque, mas garantir capacidade de resposta, contenção e recuperação rápida.
Surge então a Cibersegurança Preemptiva, um movimento que marca o futuro da proteção digital. Segundo o Gartner, até 2030, soluções preemptivas responderão por metade de todos os gastos em segurança, à medida que CIOs mudam de defesa reativa para proteção proativa. Utilizando IA avançada e machine learning para antecipar e neutralizar ameaças antes que elas se materializem, essa abordagem inclui inteligência preditiva de ameaças, decepção avançada e defesa automatizada de alvos móveis. Como bem definiu o Gartner: “Este é um mundo onde a previsão é proteção”.
Essa mudança também reposicionou a segurança dentro das empresas de forma definitiva. Ela deixou o nível técnico e alcançou a mesa de decisão, conectando risco digital com continuidade operacional, credibilidade e valor de marca. Em outras palavras, segurança tornou-se questão estratégica, não apenas operacional.
Para entender a previsão de evolução da segurança, vamos observar a tabela a seguir:
| Dimensão | Abordagem em 2025 | Tendência para 2026 |
| Modelo de proteção | Zero Trust como padrão | Segurança adaptativa por comportamento |
| Tipo de ameaça | Automatizada e orientada por IA | Híbrida com ataques multi-vetoriais |
| Foco principal | Prevenção e resposta | Resiliência e capacidade de recuperação |
| Gestão de identidade | Centralizada | Identidade digital descentralizada (DID) |
| Papel executivo | Segurança como responsabilidade do CIO | Segurança como pauta do board |
Pessoas e mercado: demanda de novas funções para um novo tipo de profissional
Enquanto a tecnologia evoluía em velocidade acelerada, a transformação de 2025 também redesenhou profundamente o perfil do profissional de TI. Mais do que dominar ferramentas, tornou-se necessário entender sistemas, contextos e decisões de negócio. Dessa forma, o papel técnico deu espaço para uma postura mais estratégica, capaz de articular soluções, interpretar cenários e dialogar fluentemente com áreas de negócio.
Ao mesmo tempo, e de forma paradoxal, cresceu a preocupação com o excesso de dependência da IA. A facilidade na execução trouxe alertas importantes sobre a perda gradual do pensamento crítico, da capacidade analítica e da autonomia intelectual. Por isso, treinar pessoas passou a ser tão estratégico quanto treinar algoritmos, afinal, tecnologia sem discernimento humano é apenas automação sem propósito.
No contexto nacional, o mercado de TI manteve ritmo consistente de expansão, impulsionado por desenvolvimento de software, segurança e cloud. Entretanto, a lacuna entre demanda e qualificação reforçou a importância da formação contínua e da atualização como parte da cultura profissional, não mais como diferencial, mas como necessidade básica para permanência no mercado.
O que se pode esperar de 2026 no mercado de TI
Se 2025 consolidou, 2026 promete aprofundar essas transformações de forma ainda mais contundente. As tendências mais claras apontam para alguns movimentos decisivos que começam a ganhar forma:
- Agentes autônomos multimodais: A tendência mais evidente aponta para a ascensão de agentes autônomos capazes de operar múltiplas tarefas sem intervenção constante. Com avanços significativos na memória, raciocínio e capacidades multimodais, esses agentes irão lidar com tarefas cada vez mais complexas através de novas competências e formas de interação que ainda estamos começando a compreender.
- Modelos especializados por domínio: Paralelamente, modelos específicos por domínio ganharão espaço de forma exponencial, treinados com dados próprios para entregar precisão e contexto real de negócio. O Gartner prevê que, até 2028, mais da metade dos modelos de IA generativa usados pelas empresas serão específicos de domínio (Domain-Specific Language Models – DSLM), preenchendo lacunas encontradas em modelos de linguagem genéricos com maior precisão, custos reduzidos e melhor conformidade regulatória. Nesse cenário, a personalização deixa de ser diferencial e passa a ser expectativa mínima e quem não oferecer soluções customizadas perderá relevância rapidamente.
- Governança como ativo competitivo: Além disso, a governança se transforma em ativo competitivo de alto valor, influenciando diretamente a confiança de clientes, parceiros e investidores. Consequentemente, empresas com estruturas claras de governança de IA terão vantagem significativa no mercado, não apenas em conformidade, mas em credibilidade e diferenciação.
- IA Física: A IA Física traz inteligência para o mundo real, alimentando máquinas e dispositivos que sentem, decidem e agem, como robôs, drones e equipamentos inteligentes. Essa tendência traz ganhos mensuráveis em indústrias onde automação, adaptabilidade e segurança são prioridades, mas também cria a necessidade de novas habilidades que conectem TI, operações e engenharia.
- Desenvolvimento nativo em IA: Essas plataformas estão transformando como o software é criado. O Gartner prevê que, até 2030, essas plataformas resultarão em 80% das organizações, evoluindo grandes equipes de engenharia de software para times menores e mais ágeis, aumentados por IA. Essas plataformas atuarão como sistemas GPS para desenvolvimento, combinando aceleradores, orquestração e infraestrutura de alta velocidade.
- Computação quântica e eficiência energética: Por fim, a infraestrutura começa a flertar seriamente com aplicações práticas de computação quântica, enquanto a eficiência energética se tornará indicador decisivo em projetos de grande escala. Nesse sentido, a sustentabilidade será o próximo grande avanço na IA, com novas arquiteturas de chips e modelos de linguagem substancialmente mais eficientes.
Novo ano e novas oportunidades para quem lidera tecnologia
Ao olharmos para trás, a retrospectiva de 2025 deixa claro que a questão já não é adotar ou não inovação, mas como fazê-la de forma estratégica, responsável e sustentável. Nesse novo cenário, a TI passa a ser linguagem de negócios, ferramenta de competitividade e elemento estrutural da experiência do cliente
Para 2026, portanto, o desafio será equilibrar autonomia tecnológica com inteligência humana, eficiência com ética, velocidade com propósito. Mais do que prever o futuro, será necessário saber construí-lo com método, visão e escolhas conscientes, algo que separa organizações que sobrevivem daquelas que lideram.
Na MarkWay, acompanhamos essa evolução de perto e ajudamos empresas a transformar tecnologia em estratégia real com caminhos claros, decisões embasadas e resultados consistentes.
Porque, no fim das contas, o futuro da TI não é sobre máquinas mais rápidas, mas sobre decisões mais inteligentes. Vamos construir esse futuro juntos? Fale com nossa equipe!






