A comunicação entre sistemas é fundamental para garantir a eficiência e a funcionalidade das aplicações. Com o aumento da complexidade das arquiteturas, a escolha do protocolo de comunicação adequado se torna essencial.
Os protocolos, como REST, SOAP ou gRPC, desempenham um papel essencial ao estabelecer regras claras para troca de dados, promovendo integração eficiente e segura entre sistemas. Essa conexão, além de facilitar a interoperabilidade, também viabiliza que as informações sejam transferidas com precisão e consistência.
O maior desafio para as empresas geralmente está mais no aspecto de negócio do que na tecnologia em si. Em grandes corporações, a comunicação entre sistemas envolve diversos times e pessoas, o que gera complexidade na coordenação de requisitos e prazos. O alinhamento humano e processual costuma ser mais complicado do que a adoção do protocolo.
Já as vantagens de um protocolo bem escolhido incluem melhor desempenho, redução de custos operacionais, facilidade de manutenção e maior alinhamento com as estratégias de transformação digital da empresa.
Neste blog, conheça os padrões mais utilizados no desenvolvimento de APIs e troca de dados entre sistemas como o REST, o GraphQL, o SOAP, o gRPC e o WebSockets. Cada um deles possui protocolos com características próprias, benefícios e casos de uso específicos que ajudam a decidir qual usar em determinadas situações. Confira a leitura completa e saiba mais!
SOAP – segurança e estrutura rigorosa
O SOAP (Simple Object Access Protocol) é um protocolo de comunicação baseado em XML que opera sobre protocolos de rede como HTTP e SMTP. Ao contrário do REST e GraphQL, o SOAP é um protocolo mais pesado e possui uma estrutura de mensagem bem definida. Apesar de ser considerado legado em muitos cenários, ele ainda é amplamente utilizado em sistemas corporativos que requerem uma comunicação altamente segura e estruturada.
Ele foi pioneiro ao permitir que aplicações heterogêneas, ou seja, escritas em diferentes linguagens, como Java ou ABAP/SAP, pudessem se comunicar de forma padronizada. Ele trouxe um modelo que utilizava XML para estruturar as mensagens, mas acabou se tornando verbose, burocrático e, muitas vezes, confuso.
A principal vantagem do SOAP é a sua segurança robusta e a capacidade de lidar com transações complexas. Ele é muito adequado para aplicações empresariais que necessitam de mensagens transacionais e exigem um alto nível de conformidade com regulamentações de segurança.
SOAP é recomendado quando a segurança, a transação e a conformidade com padrões rigorosos são essenciais, como em sistemas bancários ou de pagamentos. Também é uma boa escolha quando se trabalha com integrações complexas, como a comunicação entre sistemas legados.
Apesar de ser considerado legado em muitos contextos, ainda é a escolha predominante em sistemas bancários, governamentais e de saúde. Essas áreas exigem uma comunicação altamente segura e transacional, onde o SOAP, com sua estrutura rigorosa e suporte a XML, é capaz de garantir que as mensagens sigam padrões de conformidade e segurança. Em sistemas críticos, como os de pagamento, a capacidade do SOAP de realizar transações complexas e garantir a integridade dos dados é essencial.
REST – a simplicidade e escalabilidade
A evolução natural foi o REST (Representational State Transfer), que se baseia em HTTP/HTTPS, utiliza JSON como formato de dados (muito mais leve que XML) e oferece uma estrutura mais simples e otimizada para a comunicação.
O REST é um dos padrões de comunicação mais usados na criação de APIs. Baseado no protocolo HTTP, ele adota métodos como GET, POST, PUT e DELETE para realizar operações em recursos identificados por URIs (Uniform Resource Identifiers). Sua principal característica é a statelessness, ou seja, cada requisição é independente, e o servidor não precisa armazenar o estado das interações anteriores.
A simplicidade do REST é um dos seus maiores atrativos. A utilização de HTTP como base significa que o protocolo é fácil de entender e amplamente compatível com diversas plataformas e tecnologias. Além disso, o REST é escalável e eficiente, sendo ideal para sistemas com uma grande quantidade de operações de leitura e escrita simples.
Essa é a escolha mais indicada quando a prioridade é a simplicidade e a compatibilidade entre sistemas, sobretudo quando se lida com operações CRUD (Create, Read, Update, Delete). Ele é uma excelente opção para a criação de APIs abertas e sistemas distribuídos que necessitam de comunicação rápida e simples.
Ele é amplamente utilizado em sistemas como APIs de e-commerce, onde os clientes podem consultar produtos, adicionar itens ao carrinho e realizar pagamentos utilizando métodos HTTP como GET, POST e PUT. Esse modelo simples e eficiente permite que cada operação seja realizada por meio de uma requisição independente, tornando-o ideal para plataformas com um grande volume de dados e interações simples entre cliente e servidor.
WebSockets – comunicação bidirecional em tempo real
O WebSocket é um protocolo de comunicação em tempo real que permite uma conexão bidirecional entre o cliente e o servidor. Ao contrário do HTTP, que exige novas conexões a cada requisição, o WebSocket mantém a conexão aberta, permitindo a troca contínua de informações sem a necessidade de restabelecer a comunicação.
O principal benefício do WebSocket é a comunicação bidirecional em tempo real. Isso o torna ideal para aplicações que exigem atualizações constantes, como chats, notificações em tempo real e sistemas de monitoramento.
WebSockets são ideais para sistemas que precisam de uma comunicação contínua e em tempo real, como aplicativos de bate-papo, jogos online ou plataformas de monitoramento de dados. São excelentes para aplicações de bate-papo como o WhatsApp, onde a comunicação bidirecional em tempo real é fundamental.
Além disso, as plataformas de e-commerce utilizam WebSockets para manter os preços e estoques atualizados em tempo real, garantindo que os usuários recebam informações imediatas sem a necessidade de realizar novas requisições para o servidor. Isso é fundamental em ambientes dinâmicos, nos quais a rapidez na troca de dados pode ser um diferencial competitivo.
Os WebSockets se destacaram como uma solução popular para permitir comunicação bidirecional em tempo real, especialmente em aplicações web que exigem interação contínua entre cliente e servidor como chats ou dashboards de monitoramento.
gRPC – eficiência e baixa latência
O gRPC é um framework open-source desenvolvido pelo Google que utiliza HTTP/2 e Protocol Buffers para comunicação entre sistemas. O gRPC é projetado para sistemas distribuídos e microsserviços, com foco em comunicação de alta performance e baixa latência. O gRPC utiliza um formato binário (Protocol Buffers), que torna a comunicação mais eficiente em termos de largura de banda e tempo de resposta.
A maior vantagem do gRPC é a performance, especialmente em cenários com alto volume de dados e necessidade de comunicação em tempo real. Além disso, o gRPC suporta comunicação bidirecional, o que o torna ideal para sistemas que exigem interação constante entre cliente e servidor.
O gRPC é recomendado em ambientes que necessitam de comunicação entre microsserviços e sistemas distribuídos com baixa latência. Ele é ideal para aplicações em tempo real, como serviços de streaming, chamadas de APIs de alta performance e integração de sistemas com grande volume de dados.
O gRPC é utilizado por empresas como a Netflix e o YouTube para garantir que a comunicação entre seus microsserviços seja rápida e eficiente, especialmente em sistemas com alto volume de dados e necessidade de baixa latência. Com a utilização de Protocol Buffers e HTTP/2, o gRPC consegue garantir um desempenho superior, sendo ideal para plataformas de streaming ou qualquer sistema que dependa de comunicação em tempo real entre múltiplos serviços.
O gRPC, por sua vez, costuma ser muito utilizado em ambientes de microsserviços, pois é altamente performático e eficiente, embora não seja tão difundido quanto REST ou WebSockets.
GraphQL – flexibilidade na consulta de dados
O GraphQL é uma linguagem de consulta para APIs desenvolvida pelo Facebook. Ao contrário do REST, que retorna dados fixos de um servidor, o GraphQL permite que o cliente defina a estrutura dos dados desejados. Isso significa que o cliente pode solicitar exatamente os dados de que precisa, sem receber informações desnecessárias.
A principal vantagem do GraphQL é a sua flexibilidade. Como os clientes têm controle total sobre a estrutura da consulta, é possível evitar o problema de over-fetching (receber mais dados do que o necessário) e under-fetching (não receber dados suficientes). Além disso, o GraphQL permite a agregação de dados de múltiplas fontes em uma única consulta.
Ele é ideal quando o sistema precisa oferecer flexibilidade nas consultas, especialmente em aplicações móveis ou clientes com diferentes necessidades de dados. É muito utilizado em ambientes dinâmicos, onde a estrutura dos dados pode variar ou mudar com frequência.
Essa é a escolha de plataformas como o Facebook e o Github, que oferecem aos desenvolvedores APIs com grande flexibilidade na consulta de dados. Nessas plataformas, o GraphQL permite que o cliente defina exatamente quais dados precisam ser retornados em uma consulta, sem sobrecarregar o servidor com informações desnecessárias. Isso é especialmente útil em sistemas dinâmicos, como redes sociais ou repositórios de código, onde a estrutura dos dados pode mudar com frequência.
Por fim, o GraphQL surge como uma opção mais flexível, permitindo que as requisições se assemelhem a consultas de banco de dados — o que traz grande liberdade ao se buscar exatamente os dados necessários. Contudo, essa flexibilidade extra pode adicionar complexidade ao projeto, sendo indicada apenas para cenários que realmente se beneficiem dela.
Outros protocolos
Além dos já mencionados, o MQTT e o HTTP/3 com QUIC são protocolos que merecem destaque. O MQTT é especialmente relevante para aplicações de Internet das Coisas (IoT), pois é extremamente leve e otimizado para dispositivos com recursos limitados. Já o HTTP/3, baseado em QUIC, promete menor latência e maior resiliência em redes instáveis, tornando-se uma opção interessante para aplicações em tempo real.
Segurança e Integração de Sistemas
A segurança é indispensável na integração de sistemas que utilizam protocolos como REST, GraphQL, SOAP, gRPC e WebSockets. REST e GraphQL. Eles, geralmente empregam tokens JWT aliados ao OAuth 2.0 para autenticação, enquanto SOAP adota WS-Security, com assinaturas digitais e criptografia. Cada protocolo incorpora práticas específicas para proteger as interações e os dados.
A proteção de dados em trânsito é fundamental e inclui HTTPS para REST e GraphQL, TLS como padrão no gRPC, e WSS para WebSockets. Esses mecanismos garantem confidencialidade e integridade em redes inseguras. A criptografia é indispensável para reduzir ataques e proteger informações sensíveis.
Práticas como validação de payloads, rate limiting e monitoramento são essenciais. O GraphQL exige atenção contra consultas excessivas e o WebSockets requer proteção contra ataques de DoS. A segurança das integrações demanda estratégias ativas para prevenir vulnerabilidades e preservar a reputação.
Como escolher o protocolo certo para cada projeto
A escolha do protocolo de comunicação depende das necessidades específicas do projeto. O REST é a escolha ideal para APIs simples e escaláveis, enquanto GraphQL é mais adequado para aplicativos que precisam de flexibilidade nas consultas de dados.
Já o SOAP ainda é a escolha para ambientes que exigem transações seguras e estruturadas. E o gRPC se destaca em sistemas distribuídos que exigem alta performance e comunicação eficiente. E os WebSockets são ideais para aplicativos que precisam de comunicação em tempo real. Com a compreensão desses protocolos, é possível tomar decisões informadas sobre qual utilizar para maximizar a eficiência e atender às necessidades de seu projeto.
A dica mais importante é começar sempre pelo mais simples. A integração de sistemas corporativos já é, por natureza, um tema complexo. Quando o protocolo mais simples atende às necessidades do negócio, é a melhor escolha para reduzir riscos e facilitar o desenvolvimento.
Caso o protocolo mais básico não seja viável devido a restrições técnicas ou de legado, então é preciso partir para o que “se pode usar”, ou seja, aquele no qual as limitações do ambiente permitem. Muitas vezes, isso significa manter SOAP onde não é possível migrar. Quando há liberdade e possibilidades de inovação, vale buscar a opção ótima: protocolos otimizados como gRPC ou MQTT, no contexto de IoT, por exemplo, podem trazer ganhos significativos de desempenho.
Como a MarkWay pode ajudar os clientes em relação a esses protocolos?
A MarkWay atua como consultoria especializada na adoção de padrões e melhores práticas, indicando qual protocolo ou abordagem atende melhor às necessidades de cada cliente. Isso envolve avaliar o cenário atual, entender as limitações e metas de negócio e, então, recomendar a tecnologia mais adequada — seja uma solução simples, um padrão legado ou algo mais inovador e otimizado.
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